domingo, 29 de dezembro de 2013

Meus garotos



Seus gostos de meninos...







Brasil

Eu ouço o Brasil cantando, zumbindo, gritando, vociferando!
Redes que se balançam,
Sereias que apitam,
Usinas que rangem, martelam, arfam, estridulam, ululam e roncam,
Tubos que explodem,
Guindastes que giram,
Rodas que batem,
Trilhos que trepidam,

Rumor de coxilhas e planaltos, campainhas,
Relinchos, aboiados e mugidos,
Repiques de sinos, estouros de foguetes,Ouro Preto , Bahia,
Congonhas, Sabará,

Vaias de Bolsas empinando números como papagaios,
Tumultos de ruas que saracoteiam sob aranha céus,
Vozes de todas as raças que a maresia dos portos joga no sertão!
Nesta hora de sol puro eu ouço o Brasil.
Todas as tuas conversas, pátria morena, correm pelo ar...

(Ronald de Carvalho)

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Filho brincalhão


Alguns dos seus brinquedinhos preferidos...




Brasil

Eu ouço os arroios que riem, pulando na garupa dos dourados
Gulosos, mexendo com os bagres no limo das luras e das
locas;

Eu ouço as moendas espremendo canas, o gluglu do mel escorrendo
Nas tachas o tinir das tigelinhas nas seringueiras;

E machados que disparam caminhos
E serras que toram troncos
E matilhas de Corta Vento, Rompe Ferro, Faíscas e 
Tubarões acuando suçuaranas e maçarocas
E mangues borbulhando na luz
E caititus tatalando as queixadas para os jacarés que dormem
No tejuco morno dos igapós...
(Ronald de Carvalho)

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Natal Feliz














Natal

Jesus nasceu! Na abóboda infinita
Soam cânticos vivos de alegria;
E toda a vida universal palpita
Dentro daquela pobre estrebaria...

Não houve sedas, nem cetins, nem rendas
No berço humilde em que nasceu Jesus...
Mas os pobres trouxeram oferendas
Para quem tinha de morrer na cruz.

Sobre a palha, risonho e iluminado
Pelo luar dos olhos de Maria,
Vede o menino Deus, que está cercado
Dos animais da pobre estrebaria.

Não nasceu entre pompas reluzentes;
Na humildade e na paz deste lugar,
Assim que abriu os olhos inocentes,
Foi para os pobres seu primeiro olhar.

No entanto, os reis da terra, pecadores,
Seguindo a estrela que ao presepe os guia,
Vem cobrir de perfumes e de flores
O chão daquela pobre estrebaria.

Sobem hinos de amor ao céu profundo;
Homens, Jesus nasceu! Natal! Natal!
Sobre esta palha está quem salva o mundo,
Quem ama os fracos, quem perdoa o mal!

Natal, natal! Em toda a natureza
Há sorrisos e cantos, neste dia...
Salve, Deus da humanidade e da pobreza,
Nascido numa pobre estrebaria!
(Olavo Bilac)


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Minha Fonte e minhas flores (VIII)


A Fonte e a Flor 
(Vicente de Carvalho)


As correntezas da vida
E os restos do meu amor
Resvalam numa descida


Como a da fonte e da flor...




Brinquedinhos que gostavam...


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Minha fonte e minhas flores (VII)



A Fonte e a Flor 
(Vicente de Carvalho)

"Carícia das brisas leves


"Que abrem rasgões de luar...

"Fonte, fonte, não me leves,

"Não me leves para o mar!..."



sábado, 14 de dezembro de 2013

Minha Fonte e minhas flores (VI)



A Fonte e a Flor 
(Vicente de Carvalho)

"Adeus, sombra das ramadas,


"Cantigas do rouxinol;




"Ai, festa das madrugadas,


"Doçuras do pôr do sol".



Gostava de brincar com tudo...




quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Minha Fonte e minhas flores (V)



A Fonte e a Flor 
(Vicente de Carvalho)

Chorava a flor, e gemia,
Branca, branca de terror,
E a fonte, sonora e fria,


Rolava, levando a flor.




Ele gostava muito de brincar e ainda é chegado ao doce, como a mãe... uma formiguinha... 


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Minha Fonte e minhas flores (IV)


A Fonte e a Flor 
Vicente de Carvalho

"Ai, balanços do meu galho,
"Balanços do berço meu;
"Ai, claras gotas de orvalho


"Caídas do azul do céu!..."



domingo, 8 de dezembro de 2013

Minha fonte e minhas flores (III)


A Fonte e a Flor 
(Vicente de Carvalho)

E a fonte, rápida e fria,
Com um sussurro zombador, 
Por sobre a areia corria, 
Corria levando a flor.


"Ai, balanços do meu galho!"


Adorava brincar de bonecas...


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Minha fonte e minhas flores (II)


A Fonte e a Flor 
(Vicente de Carvalho)


"Deixa-me, deixa-me, fonte!"
Dizia a flor a chorar:
"Eu fui nascida no monte...

Não me leves para o mar".


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Minha fonte e minhas flores (I)



A Fonte e a Flor 
(Vicente de Carvalho)

"Deixa-me, fonte!", Dizia
A flor, tonta de terror.
E a fonte, sonora e fria,

Cantava, levando a flor.


Dei-lhe esta coleção infantil e ele conservou-a, exite até hoje com os netinhos (sobrinhos) a folhear...


http://youtu.be/gaZB1BTO3gQ

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Filhos e netos


Brasil

Eu ouço a terra que estala no ventre quente do nordeste, a
Terra que ferve na planta do pé de bronze do cangaceiro,
A terra que se esboroa e orla em sudas bolas 
Pelas estradas de Juazeiro, e quebras-e em cristas secas,
Esturricadas, no Crato chato;

Eu ouço o criar das caatingas - trilos, pios, pipios, trinos,
Assobios, zumbidos, bicos que picam, bordões que ressoam
Retesos, tímpanos que vibram límpidos, papos que estufam,
Asas que zunem, zinem, rezinem, cricris, cicios, cismas,
Cismas longas, langues caatingas debaixo do céu!

(Ronald de Carvalho)




sábado, 30 de novembro de 2013

Frutos dos filhos



Os filhos  cresceram e continuam a me fazer feliz... me dando netinhos lindos para  amar...

Brasil

Nesta hora de sol puro
Palmas paradas
Pedras polidas
Claridades
Faíscas 
Cintilações
Eu ouço o canto enorme do Brasil!

Eu ouço o tropel dos cavalos, correndo na ponta
Das rochas nuas, empinando -se no ar molhado, batendo 
Com as patas de água na manhã de bolhas e pingos verdes;

Eu ouço a tua grave melodia, a tua bárbara e grave melodia,
Amazonas, a melodia da tua onda lenta de óleo espesso,
Que se avoluma e se avoluma, lambe o barro das barrancas,
Morde raízes, puxa ilhas e empurra o oceano mole como um touro picado de farpas, varas, galhos e folhagens.
(continua...)
(Ronald de Carvalho)

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Com filhos e netos



Era uma tortuguita por dia para a menina...


Os meninos brincaram muito com tampinhas premiadas... 



Velha anedota

Tertuliano, frívolo peralta,
que foi um paspalhão desde fedelho,
tipo incapaz de ouvir um bom conselho,
tipo que, morto, não faria falta;

lá num dia deixou de andar à malta,
e indo à casa do pai, honrado velho,
a sós na sala, em frente de um espelho,
à própria imagem disse em voz bem alta:

- "Tertuliano és um rapaz formoso!
És simpático, és rico, és talentoso!
Que mais no mundo se te faz preciso?

Penetrando na sala, o pai sisudo,
que por trás da cortina ouvira tudo,
serenamente respondeu: - "Juízo!"

(Artur Azevedo)
Customizado por Meri Pellens.