quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Doce



Mãe:
Eu sou o doce sem açúcar.
Filho:
Eu sou o açúcar do seu doce.

Os dentes

Devemos os nossos dentes
Zelar com o maior rigor.
Ser, com eles negligentes,
Causa sempre dissabor.

Deles tudo se renova
Que os possa prejudicar,
Limpando-os com água e escova
Pela manhã e ao deitar.

E toda atenção é pouca
No cuidá-los muito bem.
Se entra a vida pela boca,
Entra a moléstia também.

A cárie apenas começa?
Não se dê parte de fraco;
Vá-se ao dentista depressa
Que sempre a cárie é "um buraco".

Dos dentes mantendo o asseio
Podemos ficar contentes
Pois quase não há receio
De chorar com dor de dentes.
(Bastos Tigre)

http://youtu.be/T2Xgiuz5BzA

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Meta do Caminho



Mãe:
Eu sou o caminho sem meta.

Filho:
Eu sou a meta do seu caminho.


O sapo

Não se discute que o sapo
É feio, feito a valer.
Barrigudo, olhos saltados,
Mais feio não pode ser...

Até já se disse, em versos,
Que ao mundo o sapo não veio
Para servir de modelo,
Por ser bicho muito feio.

Entanto, essa fealdade
Não lhe impede que se torne
-Eis uma grande verdade-
De uma serventia enorme.

Dando caça a certos bichos
Para as suas refeições,
Presta-nos muitos serviços
Defendendo as plantações.

Por que apedrejar os sapos?
É ruindade! É maldade!
Queria você, acaso,
Pagar o mal que não fez?
(Renato Sêneca Fleury)

http://youtu.be/8aQtO58JP_M


domingo, 24 de fevereiro de 2013

Ouvido x orelha



Mãe:
Eu sou ouvido sem orelha.
Filho:
Eu sou a orelha do seu ouvido.

O pato

Lá vem o pato
Pata aqui, pata acolá
Lá vem o pato
Para ver o que é que há.
O pato pateta
Pintou o caneco
Surrou a galinha
Bateu no marreco
Pulou do poleiro
No pé do cavalo
Levou um coice
Criou um galo
Comeu um pedaço
De jenipapo
Ficou engasgado
Com dor no papo
Caiu no poço
Quebrou a tigela
Tantas fez o moço
Que foi pra panela
(Vinícius de Morais)

http://youtu.be/xU9wy5il7iU




sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A Construção do meu Mundo




Mãe:
Eu sou o mundo sem construção.

Filho:
Eu sou a construção do seu mundo.


Presente de Natal

Papai Noel,
Eu estou esperando
O presente
Que você não me deu
E que me prometeu
Desde o ano passado.

Às vezes,
Eu fico a noite toda acordado
Pensando
Que devia chegar mais depressa
A noite de Natal.
E quando ela chegar...

Pode trazer o que quiser,
Papai Noel,
Mas que seja bonito, bem bonito,
O que você me der.

Pode ser um trem de ferro
Daqueles que têm trilhos
E correm
E apitam
Como um trem de verdade.

Ou talvez,
Um boneco chinês
Como aquele que eu vi
Na casa de brinquedos.
(Tão engraçado!)
Move os braços
Sorri
E faz caretas
Como se fosse um palhaço.

Um automóvel bem grande
Também serve;
Ou um batalhão inteiro
Que tenha capitão,
Porta bandeira
E corneteiro.

Um livro de figuras coloridas,
Uma caixa de armar.
Mas se você quiser ser bem bonzinho,
Papai Noel,
Aquele presente que eu quero
Mais do que tudo no mundo:
Papai Noel, eu quero um irmãozinho.
(Marieta Leite)

http://youtu.be/VhnXYHDOjDk

Quadro x Moldura

Mãe:
Eu sou um quadro sem moldura.

Filha:
Eu sou a moldura do seu quadro.


O chapelinho vermelho

Chapelinho Vermelho vai contente.

A estrada,
Toda banhada de sol,
É uma fita doirada
Que se estende
Até a casa da vovó.

Chapelinho canta,
Chapelinho dança,
Chapelinho corre
Por entre as flores
Multicolores
Brancas,
Azuis,
Amarelas,
Vermelhas,
Como o seu chapéu vermelhinho
Que mais parece uma flor
Maior que todas as flores.

Chapelinho salta
E traz da mangueira mais alta
A doçura das mangas.
E prova o gosto bem doce
Do maduro vermelho das pitangas.
Chapelinho canta,
Chapelinho dança,
Chapelinho corre.

Já tem as mãos perfumadas
De todos os perfumes
Das flores variadas
Que colheu.

Chapelinho Vermelho vai contente.

E o lobo mau?

Morreu.
(Marieta Leite)





quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Telefone




Mãe:
Eu sou o telefone sem fio

Filho:
Eu sou o fio do seu telefone.


O dedinho da mamãe
I
Um dia destes, à toa,
À irmãzinha, que é tão boa,
Torci as orelhas... pois
A mamã, que estava ausente,
Soube tudo infelizmente,
Poucos minutos depois.

Não sabem por que? São manhas
Do dedinho tagarela
Que lhe conta as artimanhas
Que faço na ausência dela.

II
Um mendigo de sacola
Pediu-me um tostão de esmola
Que lhe dei esta manhã.

Em si de alegre não coube;
E pensam que ela o não soube?
Soube de tudo a mamã.

Não sabem por que? São manhas
Do dedinho tagarela
Que lhe conta as artimanhas
Que faço na ausência dela.
III
Mas notem bem: quando digo
Dedinho, dedinho amigo,
Que sabe as coisas tão bem,
(Escutem atentamente)
Refiro-me unicamente
Ao dedinho que ela tem.

Porque meu dedo... essa é boa!
É um dedo que anda no ar,
É um dedinho muito à toa
Que nada sabe falar.
(Francisca Júlia e Júlio da Silva)


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Relógio



Mãe:
Eu sou o ponteiro do seu relógio.
Filho:
Eu sou o relógio sem ponteiro.

Saudação à bandeira

Apesar de pequenino
Vou saudar desta maneira
Esse vulto peregrino
Da nossa linda bandeira!

Senhores, olhai para Ela
Que flutua varonil
Toda assim verde e amarela
Sob o céu do meu Brasil!

Salve, pois, minha Bandeira!
A mais linda que já vi!
Viva a Pátria Brasileira
Que está refletida em Ti!
(Isabel Vieira de Serpa e Paiva)

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Flor



Mãe:

Eu sou a flor sem perfume...

Filho:
Eu sou o perfume da sua flor...

Ave Maria

Envolto em sombras,
Declina o dia.
Rezam os crentes:
Ave Maria!

Vem da distância,
Plangente e fria,
A voz de um sino:
Ave Maria!

Toda de névoa,
A serrania
Murmura, em prece:
Ave Maria!

A água da fonte,
Que há pouco ria,
Segreda agora:
Ave Maria!

Cantam os sinos,
Em litania,
No céu profundo:
Ave Maria!

Em vossos lares,
Ao fim do dia
Rezai, crianças:
Ave Maria!
(Correa Júnior)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Luz



Mãe:
Eu sou a cega de nascença

Filho:
Eu sou a luz dos seus olhos.

À noite

Quando me deito, mamãe
Vem cantar junto de mim;
Enquanto papá escreve,
Mamãezinha canta assim:

"Dormem dorme, meu filhinho,
As aves etão dormindo,
As estrelas cintilantes
Lá no céu estão luzindo."

"Dorme, dorme, meu anjinho,
É noite, o papá já veio.
Teu maninho também dorme
Embalado no meu seio."

"Anunciando oito horas,
O galo cocoricou;
E lá na torre da igreja
A mesma hora soou."
(Hilário Ribeiro)

http://youtu.be/Pia8EBfzhF8
Customizado por Meri Pellens.