domingo, 30 de junho de 2013

Balé infantil


Minha joaninha







Primavera

Bem cedo, mal rompe o dia,
Já estão gorjeando as aves
Os seus pipilos suaves
Em desusada alegria.

Vasto o campo se descobre,
Ondula, se estende e perde,
Todo verde, todo verde
Da nova relva que o cobre.

De toda banda invadidos
E cheios estão os ares
Do perfume dos mares
E dos jardins florescidos.

As aves erriça a pluma,
Varre osares e os refresca
O sopro da brisa fresca
Que tudo beija e perfuma.

A natureza se esmera
Em galas e enfeites novos,
Vi o sol, brotam renovos...
É a risonha primavera.

Que bem cedo acorda os ninhos,
As flores perfumes, enfolha
As árvores, folha a folha,
Onde cantam, passarinhos.
(Francisca Júlia e Júlio da Silva)




Da querida amiga Anne Lieri...





sexta-feira, 28 de junho de 2013

Filhos, o Maior Presente


Os brinquedinhos que tiveram...




A fazenda

Seis horas... Salto do leito,
Que céu azul! Que bom ar!
Ah! Como eu sinto no peito,
Moço, vivo  satisfeito,
O coração a cantar!

No meu quarto, alegre e claro,
Há rosas e girassóis;
E eu, com enlevo, reparo
No mumo do seu preparo
Na alvura dos seus lençóis...

Que doce encanto, e que graça,
Nesta simpleza aldeã.
Tem, sobre os vãos da vidraça,
Bailando ao sol da manhã!

E da florida janela
Que eu abro de par em par,,
-Verde painel, larga tela,
Da cor mais viva e mais bela,
Desdobra-se a meu olhar!

Rindo, a manhã fresca e branda,
Doira, de róseo matriz,
]A ampla casa venerada,
Com sua quieta varanda
Cheirosa de  bogaris...

Um renque de altos coqueiros
Circunda o vasto pom,ar;
Como enormes tabuleiros,
Ficam em frente os terreiros,
Com grãos de coco a secar.

Um quadro: curvo e sozinho,
Um pobre negro, o Bié,
A passo, devagarzinho,
Com seu rumoroso ancinho,, 
Lá vai rodando o café...

Depois, - a máquina, a tulha,
O alpendre, o farto paiol:
Ah! Como a roça se orgulha
De ver subir a fagulha
Que lança a máquina ao sol!

Branca, entre tufos, a escola
Logo na estrada se vê.
É lá, nessa casinhola,
Que  a filha de nhá Carola
Vai ensinar o abe.

Fulgem, na estrada tranquila,
casinhas brancas de cal:
É a colônia que cintila,
Graciosa como uma vila,
Risonha como um pombal.

E, ao longe, o pasto,a cancela,
-Um boi deitado no chão;
Paisagem rude e singela,
Faria fina aquarela
De puro estilo aldeão.

E além da várzea e da ponte,
Num colorido rural,
Cobrindo as rampas do monte,
Por todo o imenso horizonte
Alastra-se o cafezal!

E enquanto o olhar se extasia
Em cena tão linda e chã,
Eu sinto n'alma a poesia
Desta orvalhada manhã.

E absorto no panorama
Que assim contemplo, de pé,
Eis que uma velha mucama,
Surgindo à porta, me chama:
Nhonhô, tá pronto o café...
(Paulo Setubal)


quarta-feira, 26 de junho de 2013

4 aninhos da filha - Rapunzel





Ladainha

por se tratar de uma
Ilha deram-lhe nome  de
Ilha de Vera Cruz.

Ilha cheia de graça,
Ilha cheia de pássaros
Ilha cheia d eluz.

Depois mudam-lhe o nome para 
Terra cheia de graça
Terra cheia de pássaros
Terra cheia de luz.

A grande terra girassol onde havia
Guerreiros de tanga
E onças ruivas deitadas
À sombvra das árvores
Mosqueadas de sol.

Mas como houvesse em
Abundãncia certa madeira
Cor de sangue, cor de
Brasa,
E como o fogo da manhã
Selvagem fosse um brasido
No carvão noturno da paisagem
E como a terra fosse de
Árvores vermelhas.

E se houvesse mostrado
Assaz gentil
Deram-lhe o nme de Braisl
Brasil cheio de graça
Braisl cheio de pássaros
Brasil cheio de luz!
(Cassiano Ricardo)



terça-feira, 25 de junho de 2013

3 aninhos da filha - Chapeuzinho Vermelho




Exílio

Eu nasci além dos mares;
Os meus lares,
Meus amores ficam lá
Onde canta nos retiros
Seus suspiros,
Seus suspiros, o sabiá!

Oh! Que céu, que terra aquela
Rica e bela
Como o céu de claro anil!
Que seiva, que luz, que galas
Não exalas,
Não exalas, meu Brasil!

Oh! Que saudades tamanhas
Das montanhas,
Daqueles campos natais,
Daquele céu de safira
Que se mira,
Que se mira nos cristais!

Não amo a terra do exílio,
Sou bom filho,
Quero a terra das mangueiras
E as palmeiras,
E as palmeiras tão gentis.
(Casimiro de Abreu)






segunda-feira, 24 de junho de 2013

Filho sorridente

O que gostava do Rambo...



Caramuru

Um tiro encheu de espanto a redondeza,
Um relâmpago lívido,saído do estouro,
Feriu com aponta de ouro a preguiça selvagem.

E o ribombo caiu no lombo da voragem,
E houve a ilusão sensacional. quase teatral,
De que um estranho caçador
Sem flecha nem tacape,
Viera do morro, onde escorria o fogo do arrebol.
(Piava no alto da serra o primeiro inhambu)
E, saindo da boca de um trovão,
Arremessara ao céu um punhado de sol
Que trazia na mão!

E os índios viram quando,
Como um novelo aos pés um pássaro ferido!
Caramuru! caramuru!
(Cassiano Ricardo)





sábado, 22 de junho de 2013

Meu filho sorridente

O que gostava da boneca Eva...


Minha terra

Minha terra tem uma índia morena
Toda enfeitada de pena
Que anda calçando ao luar.
Minha terra tem também uma palmeira
Parece a rede maneira no vento a se balançar...

Minha terra, que tem do céu a beleza,
Que tem do mar a tristeza,
Tem  outra coisa também:
Minha terra , na sua simplicidade,
Tem a palavra saudade
Que as outras terras não têm!
(Luís Peixoto)



sexta-feira, 21 de junho de 2013

1 aninho da filha - Cinderela




De gata borralheira...


À Cinderela...

A pena e o tinteiro

Uma pena presumida
De escrever grandes sentenças,
Falava das suas obras,
Tão sublimes como extensas.
-Sem mim, disse ela no tinteiro,
Pouca figura farias:

Cheio de um licor imundo,
Sem mim, triste, que farias?
O tinteiro injuriado
Vazou toda a tinta fora,
E voltou-se para a pena
Dizendo-lhe: Escreve agora?
(Marquesa D'Alorna)



quinta-feira, 20 de junho de 2013

Filho lindo da mãe


O que tinha mania do cubo mágico...


No sertão

Faz um ano... O sertão, verde e ondulado,
Todo em flores e músicas, se abria,
Erravam nuvens pelo céu, e o gado,
Pelas campinas e capões, mugia...

Era num alto a tua casa, havia
Um rumoroso córrego de um lado;
Do outro, o curral e, ao longe a serrania,
De alva bruma o alto píncaro toucado.

Sinto-o, em sonho,outra vez. A tarde desce:
Enfia a treva os seus buréis de monge
Nos serrotes cinzentos? Anoitece...

Vão -se abrindo as estrelas e as juremas...
Muge o gado saudoso; vem de longe
O assustado gritar das seriemas..
(Humberto de Campos)







quarta-feira, 19 de junho de 2013

Meu encanto- aniversário de 8 anos




Meu primeiro mestre

Era bem pobre a minha escola. Rude
E tosca era a mobília. A sala, escassa.
Mas naquela pobreza, quanta graça!
Naqueles corações, quanta virtude!

Com que emoção profunda eu bendizia
Daquela escola a doce paz campestre,
E, ouvindo a voz do primeiro mestre
Quantas coisas bonitas aprendia!

Ainda recordo, com ternura e enleio
A sua imagem carinhosa e mansa,
A sorrir de descanso e de recreio.

Era austero nas aulas, sem, contudo,
Deixar de ser bondoso e delicado;
E dos alunos todos estimado,
Infundia respeito e amor ao estudo.

Lembro... E meu pensametno comovido
Nesta  ideia risonha se consola:
-Os dias que vivi na tua escola,
Nunca os hei de esquecer, mestre querido!
(Correa Júnior)

Flores para você, filha!




terça-feira, 18 de junho de 2013

Irmão feliz (II)


A esmola do pobre

Nos toscos degraus da porta
De igreja rústica e antiga,
Velha, trêmula e mendiga
Implorava compaixão.
Quase um século contado
De atribulada existência,
Ei-la, enferma e na indigência,
Que à piedade estende a mão.

Duas crianças brincavam
À distância, na alameda
Uma trajava de seda,
Doutra humilde era o trajar.
Uma era rica, outra pobre;
Ambas loiras e formosas;
Nas faces a cor das rosas,
Nos olhos o azul do ar.

A rica, ao deitar os jogos,
Vencida pelo cansaço,
Viu a mendiga e ao regaço
Uma esmola lhe lançou.
Ela recebe-a e a criança
Que a socorre compassiva,
Em prece fervente e viva,
Aos anjos encomendou.

De um ligeiro sentimento
Da vaidade possuída,
À criança mal vestida
Disse a do rico trajar:
- O prazer de dar esmolas
A ti e aos teus não é dado;
Pobre como és, coitado,
Aos pobres e que hás de dar?

Então a criança pobre,
Sem más sombras de desgosto,
Tendo o sorriso no rosto,
Da igreja se aproximou;
E após, serena, em silêncio,
Ao chegar junto da velha,
Descobrindo-se, ajoelha,
E a magra mão lhe beijou.

E a mendiga alvoroçada,
Ao colo os braços lhe lança
E beija a pobre criança,
Chorando de comoção.
É assim que a caridade
Do pobre ao  pobre consola.
Nem só da mão sai a esmola:
Sai também do coração.
(João de Deus)






segunda-feira, 17 de junho de 2013

Mamãe e filhinha numa festa infantil



"Deixai vir  a mim as criancinhas" 
e não as impeçais, porque o Reino de Deus é  daqueles que se parecem com elas.
(Lc 18, 15-16)

A rendeira

Ao sopro do terral abrindo a vela,
Na esteira azul das águas arrastada,
Segue veloz, a intrépida jangada.

Prudente o jangadeiro se acastela
Contra os mil incidentes da jornada;
Fazem-lhe, entanto, guerra encarniçada
O vento, a chuva, os raios, a procela.

Súbito, um raio, o prostra e, furioso,
Da jangada o desperta n'água escura;
E, em brancos véus de espuma, o delicioso

Envolve e traga a onda intumescida,
Dando-lhe assim, mortalha e sepultura,
O mesmo mar que o pão lhe dera em vida.
(Pe. Antônio Tomaz)



domingo, 16 de junho de 2013

Meu Filho, meu Amigo


O que gostava de brincar com o auto ban


Exaltação

Vai!
Sobe à montanha mais alta da tua terra;
Põe-te de joelhos sobre a elevada relva
Daquele morro distante - e deixa,
Lá de cima, cair sobre a alma atormentada
Dos homens, a alegria alvissareira
De tua alma brasileira!
E conta, lá do alto, a todos os ventos
E a todas as nuvens
Que passarem, o teu destino feliz,
A história encantada do teu país.

Conta-lhes que a tua terra é um agrande  flor morena,
Dourada de sol e perfumada de luar,
E que ela põe um sorriso de ternura,
No fundo de cada olhar;
Que ela é cheia de graça e de feitiço...
Como uma flor de lenda; que ela é simples,
Amável, fraternal, acolhedora,
E o que é a terra mais bonita e mais gentil
Que os teus olhos já viram. Conta-lhes tudo,
Tudo isso que os homens, as nuvens e os ventos,
Precisam saber do teu Brasil.

Vai!
Sobe à montanha mais alta da tua terra,
Para que a tua palavra de fé brasileira
Possa dali encher de alegria e esperança
A terra inteira!
(Correa Júnior)




sábado, 15 de junho de 2013

Meu coração


"Ser mãe é decidir para sempre
ter o coração
andando do lado de fora do corpo."
(Elizabeth Stone)

O relógio

-Tic! Tac... - de mansinho,
Sobre a pedra do fogão.
-Tic! Tac... -as horas vão
Seguindo no seu caminho.

-Tic! Tac... - Lembra um ninho
O relógio do salão.
As horas voam?pois não!
Cada qual é um passarinho.

Tic! Tac... - Já mais brando,
Vão voando, vão cansando
As horas, na luz do dia.

-Tic! ... - É noite: fecham-se asas;
Silêncio; apagam-e as brasas...
-Dorme o menino? - Dormia!
(Antônio Correia D'Oliveira)

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Irmão Feliz (I)


A morte do jangadeiro

Ao sopro do terral abrindo a vela,
Na esteira azul das águas arrastada,
Segue, veloz, a intrépida jangada,
Entre os uivos domar que se encapela.

Prudente o jangadeiro se acastela
Contra os mil incidentes da jornada;
Fazem-lhe, então, guerra encarniçada
O vento, a chuva, os raios, a procela.

Súbito, um raio o prostra e, furioso,
Da jangada o despeja n'água escura:
E, em brancos véus de espuma, o desditoso

Envolve e traga a onda intumescida,
Dando-lhe, assim, mortalha e sepultura,
O mesmo mas que o pão lhe dera em vida.
(Pe. Antônio Tomaz)

quinta-feira, 13 de junho de 2013

4 Aninhos da Filhota


Para a filha que gosta de gatinhos...




Poema das duas mãozinhas

E aquelas mãozinhas
Tão leves
Tão brancas,
Riscavam as paredes
Quebravam os bonecos,
Armavam castelos de areia na praia.

À boca da noite
O Cata piolhos
Rezava baixinho:
Pelo sinal
De santa cruz
Livrai-nos Deus
Nosso Senhor.

E aquelas mãozinhas 
Dormiam unidinhas
Qual João mais Maria.

Dedo mindinho,
Seu vizinho
O Pai de todos,
Seu fura bolos,
Cata piolhos,
Que dê o toicinho?
-O gato comeu.

Nas noites de lua
Cheinhas de estrelas
Seu fura bolos
Contava as estrelas
O pai de todos
Cuidava dos outros.
Nasciam verrugas
No cata piolhos.

E aquelas mãozinhas
Viviam sujinhas
Qual João mais Maria...

Um dia - que dia
Dedo mindinho
Feriu-se num espinho...

E à boca da noite
O cata piolhos deixou de rezar
E João mais Maria, juntinhos,
Ligados
Pararam em cruz
Cobertos de fitas
Que nem dois bonecos
Sem mola, quebrados...
(Jorge de Lima)


Meu filho estudioso

O que sempre gostou de garrafinhas...



O meu lar

Se eu tenho de morrer na flor dos anos,
Meu Deus!Não seja já!

Eu quero ouvir na laranjeira,à tarde,
Cantar o sabiá!

Meu Deus, eu sinto e tu bem vês que eu morro
Respirando este ar;
Faz que viva, Senhor! Dá-me de novo
Os gozos do meu lar!

O país estrangeiro mais belezas
Do que a pátria não tem;
E este mundo não vai um só dos beijos
Tão doces duma mãe!

Dá-me os sítios gentis onde eu brincava
Lá na quadra infantil;
Dá que eu veja uma vez o céu da pátria,
O céu do meu Brasil!

Se eu tenho de morrer na flor dos anos,
Meu Deus! Não seja já!
Eu quero ouvir na Laranjeira, à tarde,
Cantar o sabiá!

Quero ver esse céu da minha terra
Tão lindo e tão azul!
E a nuvem cor de rosa que passava
Correndo lá do sul!

Quero dormir à sombra dos coqueiros,
as folhas por dossel;
E ver se apanho a borboleta branca,
Que voa no vergel!

Quero sentar-me à beira do riacho
Das tardes ao cair,
E sozinho cismando no crepúsculo
Os sonhos do porvir!

Se eu tenho de morrer na flor dos anos,
Meu Deus! Não seja já!
Eu quero ouvir na laranjeira à tarde,
A voz do sabiá!

Quero morrer cercado dos perfumes
Dum clima tropical,
E sentir, expirando, as harmonias
Do meu berço natal!

Minha campa será entre as mangueiras,
Banhada do luar,
E eu contente dormirei tranquilo
À sombra do meu lar!

As cachoeiras chorarão sentidas
porque cedo morri.
E eu sonho no sepulcro os meus amores
Na terra onde nasci!

Se eu tombo de morrer na flor dos anos,
Meu Deus! Não seja já!
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
Cantar o sabiá!
(Casimiro de Abreu)







Customizado por Meri Pellens.