quarta-feira, 31 de julho de 2013

Aprendi das Infâncias



Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.


Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

(Antônio Cícero)

Da minha infância:
Aprendi que não conta a dor somente mas sim a alegria de brincar de boneca e de tantas brincadeiras com as crianças da nossa família... 






 Da infância dos meus filhos:
Aprendi que os parques da vida, as festinhas infantis a cada ano e os brinquedos que lhes pude dar são muito mais importantes do que tantos cursos que terminam com a infância antecipada e abruptamente... 







Da infância dos meus netinhos:
Aprendi que contar historinhas, falar ao celular com eles (quando distantes), cantar musiquinhas nele se preciso for porque está fazendo manha com a mãe lá longe, fazer bolinho de chuva e pizza (eles sendo o pizzarolo) quando os visitar,  levar em todos os brinquedos do play, levar mil docinhos preferidos de cada um, deixar que eles usem o nosso cel  para aprender a fotografar e a usar o nosso not  para ver filminhos no yotube e tudo o que os fizer sorrir vale muito mais a pena do qualquer brinquedo caro que lhes possa dar...
































Com todas as infâncias que vivi, sendo a minha ou a dos filhos ou as dos netinhos, descobrindo estou que ela  nunca termina... tudo o que aprendi vai só se aperfeiçoando....  me fazendo nunca desistir de ver o lado  bom da vida... de sentir ainda o doce sabor do algodão colorido ou não...
Com Jesus, aprendi o que ele sempre, sabiamente, nos ensinou: Deixai vir a mim as criancinhas... Ele sabe bem o por quê...




De volta

Nem há, talvez, quem compreenda
A minha brusca emoção,
Ao ver a velha fazenda,
Que - toda a rir - se desvenda
No cimo azul do espigão...

E como aqui, nesta roça,
São todos amigos meus,
À porta de cada choça,
Toda gente se alvoroça
Par avir dizer-me adeus.

É o Zé Quincas! É o Zé Colaço!
O Juca Elias, "nhô João...
-Todos eles, quando eu passo,
Num longo, num rude abraço,
Me apertam no coração!

(Continua...)

(Paulo Setúbal)


terça-feira, 30 de julho de 2013

Momento solene com os filhos seminaristas


Bodas de Porcelana

De volta

E abelhas, asas espertas,
Com seu voo zumbidor,
Poisam trôpegas, incertas,
Pelas corolas abertas
Das parasitas em flor...

Na mata, de quando em quando,
Soa o trilar dos nambus;
E os pintassilgos em bando
As frondes sonorizando,
Gorjeiam em plena luz!

E enquanto eu sigo, enlevado
Nesta poesia sem fim,
Bem sinto, de lado a lado,
Que um trecho do meu passado
Em tudo ri para mim!

(Continua)

Paulo Setúbal)


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Passeando nas férias (ES)



De volta

Minha terra. Ai, com que abalo,
Com que sincera emoção,
Eu, dando rédea ao cavalo,
Margeio este fundo valo,
-Caminho do eu torrão!

Que sol! Que esplêndido brilho!
Com a alma ansiosa, a vibrar,
Eu corto as roças de milho,
Por este sinuoso trilho
Que à minha terra vai dar.

Ninhos... Flores.. Que tesouro!
Que alegria vegetal!
À luz do sol, quente e louro,
com seus penachos cor de ouro,
Como esplende o milharal!

(Continua....)

Paulo Setúbal




domingo, 28 de julho de 2013

Irmãozinhos Unidos


Gostavam  muito de brincar com o jogo:



A dança dos ventos brasileiros

Aí vem os ventos assobiando,
E vêm dançando,
E vêm cantando
A canção das distâncias
Que eles sabem de cor.

Correm léguas e léguas sem parar,
Para chegar a tempo
Na grande festa,
Na grande roda,
Na roda doida
Que vão dançar.

O primeiro que chega na floresta
Tem um cheiro de água na floresta
Tem um cheiro de água no seu corpo de ar;
Veio da terra das grandes águas e igarapés,
E, correndo através dos rios e das várzeas,
Ainda se lembra do grande rio.

Nos pés ligeiros como veados,
Chega outro vento
Que vem de longe;
Vento dos matos,
Vento dos prados,
Dos grandes matos e grandes prados
Lá do sertão,
Lembra, no andar, as onças ariscas,
Os bichos do mato,
Levantando com os pés a poeira do chão.

O vento do mar,
Vento do acaso,
Pulando serras e cordilheiras,
Grotas, barrancas,
Chegou cansado de tanto andar
Nas terras brasileiras.

Como um corcel arisco dos pampas,
Lá vem o vento,
Lá vem o vento,
Vento do sul, vento que é livre,
Com a crina imensa  na escuridão,
Batendo as patas
Descompassadas
No chão.

E, de mãos dadas, os quatro ventos,
No seio imenso da noite do mato.
Os quatro ventos como crianças,
Ficam dançando de mãos dadas
A doida dança dos duendes,
Dos curupiras e sacis.

E o saci dança, doido no redemoinho
Dentro da noite brasileira
-Sobre o redemoinho que zune no mato-
Para pegar o saci Pererê,
Deus atira o céu, como uma peneira
Enorme e azul, com cruz de estrelas...
(Vinicius Meyer)




sábado, 27 de julho de 2013

A filha que gosta dos gatinhos


A filha que gosta dos gatinhos...


Brasil

Belo céu de turquesa sempre claro,
Refletido num mar soberbo e extenso,
Grandes caudais varando o mato denso,
Flor das Pátrias, Brasil, tesouro raro!

Minha mãe, rainha terra, meu amparo,
Lindo sólio de amor, sertão imenso,
É só na tua glória que, hoje, penso!
Zela por teus brasões , ufano e avaro!

O teu passado é fúlgido. Trabalha!
Mas guarda sempre o nome das figuras,
Autoras da expressão que tens na História.

Seja essa a tua força na batalha,
E só assim terás oque procuras:
Graça, poder, riqueza, luz e glória!
(Felix Pacheco)









Nossa união


Poema

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada, cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.

Eu sozinho menino entre mangueiras
Lia a história de Robinson Crusoé,
Comprida história que não acaba mais.

No meio dia branco de luz uma vez que aprendeu
A ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu
Chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
Café gostoso
Café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
Olhando para mim:
-Psiu... Não acorde o menino.
Par ao berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!

Lá longe meu aqui campeava
No mato sem fim da fazenda.
(Carlos Drummond de Andrade)





sexta-feira, 26 de julho de 2013

Alguns Aniversários meus com Filhotes



Exortação

Ó louro inteligente que trazes
A enxada ao ombro
E, na roupa em remendos
Azuis e amarelos
O mapa de todas as pátrias,

Sobe comigo a esse píncaro
E olha a manhã brasileira
Que vem despontando por trás da serra
Com um punhado de cores jogado
Da terra!

...E homens filhos do sol (os índios)
Homens filhos do luar (os lusos)
Homens filhos da noite (os pretos)
Aqui vieram sofrer, aqui vieram sonhar.

Naquele palmar tristonho,
Que vês muito ao longe, os primeiros profetas
Da liberdade, vestidos de negro,
Anteciparam o meu sonho!

Naquele rio encantado
Mora uma linda mulher de cabelos verdes
E boca de amora.

Naquele mato distante nasceu Iracema,
A virgem dos lábios de mel!

Lá longe, ao fulgor do trópico,
O cearense indomável
Segura o sol pelas crinas
No chão revel.

Lá embaixo o gaúcho
De lança em riste,
Assombra a planície escampa,
Montado no seu corcel:
Sim, o gaúcho que viu, ao nascer, a bandeira da pátria 
estendida ao pampa...

Pois bem, ó imigrante louro,
O meu país é todo um rútilo tesouro
Nas tuas mãos; toma a enxada
E vai plantar a semente de ouro
Na terra de esmeralda.

E terás, sobre o solo braco, aberto em flor,
A sensação de um descobridor.
(Cassiano Ricardo)









quinta-feira, 25 de julho de 2013

Na flor da mocidade









Você é um raio de sol para  a nossa família, filha querida...

Ao Brasil

Bela estrela de luz, diamante fúlgido
Da coroa de Deus, pérola fina
Dos mares do Ocidente,
Oh! Como altiva, sobre nuvens de ouro,
A fronte elevas, afogando em chamas
O velho continente!

Oh! Terra de meu berço, oh! Pátria amada!
Ergue a fronte gentil , ungida em glórias
De uma grande nação!
Quando sofre o Brasil, os brasileiros
Lavam machas ou debaixo morrem
Do santo pavilhão!
(Fagundes Varela)




quarta-feira, 24 de julho de 2013

Na praia


Aprendendo a escrever...


Mamãe
Você é a minha ursinha linda!

O anãozinho verde

Um anãozinho verde, que vivia
Na concha furta cor de um caracol,
Subiu pelas montanhas, certo dia,
Para ir buscar, lá em cima, o diamante do sol.

Montado num besouro
De asas de laca, arabescadas de ouro,
O visionário anão, filho dos gênios do ar,
Subiu aos cimos das montanhas
Mas viu que o sol descera das montanhas
E boiava no mar!

E o anãozinho verde, que vivia
Na concha furta cor de um caracol,
Desceu dos montes, ao findar do dia,
Para ir buscar, lá embaixo, o diamante do sol!

Ao chegar junto à praia, onde as sereias
Brincam com búzios de ouro nas areias
Ele viu, pobre cego de ilusão,
Que o sol descia pelas águas, dentro
Do encapelado oceano espumarento,
Rodopiando como um pião.

E o anãozinho verde, que vivia
Na conha furta cor de um caracol,
Descendo ao mar, morreu na água sombria,
Tão distante da luz, tão distante do sol!...
(Teodorico de Almeida)






terça-feira, 23 de julho de 2013

Filhos amados


Gostavam de colecionar os tais bonequinhos...




Manjolo Velho

Da boca da preta, tão mole, sem dentes,
Caíam as palavras, pesadas no quarto
Onde a luz da lamparina
Dançava, tonta,, nas paredes.

... Então Ali Babá entrou, devagar,
Na caverna dos Quarenta ladrões,
Toda cheia de ouro e de prata,
E de pedrarias a brilhar...

Que lhe importa Ali Babá
Co seu tesouro de pedrarias,
Se ele tinha um baú cheinho
De olhos de cabra, de salta martins
De caramujos, de borboletas,
De besouros verdes e ovos azuis,
E tanta coisa que ele juntara,
Andando nos matos em busca de ninhos!
...Então Joãozinho e Maria
Entraram na casa da feiticeira,
Que era toda feita de doces,
Com a poeira do chão toda de açúcar...

A casa de doces seria melhor,
Com suas paredes de marmelada,
Com seu chão de açúcar,
Com engenho cantate de perto da casa,
Onde a garapa corria ligeira,
Cantando nas bicas de bambu,
Onde o cheiro da rapadura
Adocicava o ar parado e morno
E onde os mulatos bondosos, suados,
Enchiam-lhe a boca de pontos de açúcar?

...Então o Gato de Botas
Falou para o Rei!
-Todas estas terras pertencem
Ao meu amo, o Marquês de Carabás...

Não, as terras do Marquês
Não eram mais lindas que as terras do pai,
Nem tinham aquele canavial tão lindo
E nem tinham - ah! não tinham - aquele monjolo,
Aquele monjolo tão velho e cansado,
Que agora, na treva, cantava, cantava!
Nhein... pan, nehin... pan, nhein... pau...
Trazendo-lhe o sono -nhein...
Tão bom, devagar - pan...
E o menino da roça adormece feliz!
(Vinícius Meyer)



segunda-feira, 22 de julho de 2013

15 anos - dia feliz -parte 3




















Você é um raio de sol para  a nossa família, filha querida...

Santo Antônio 

Noite do santo padroeiro!
A criançada pula de contente:
-Chega, chega minha gente,
Vai começar a festa no terreiro.

A casa, pintadinha de novo,
Cheia de bandeirolas e de luz,
Enfeitada de arcos  de bambus,
Ficou assim, de povo

E em torno da fogueira,
Que envolve tudo num clarão,
A boa gente roceira
Festeja o santo de sua devoção.

Sentam, fazendo rodas
Afilhadas, comadres e madrinhas,
Velhas, puxando, ladainhas,
Moças, cantando modas:

Se milagres desejais,
Recorrei a Santo Antônio:
Vereis fugir o demônio
E as tentações infernais.

Depois, as moças vão ler a sorte
Dentro do copo: que será delas?
-Altar, navio, viagem, morte?

E deitam n'água, ligeiro,
Papéis com nomes dos conhecidos:
Os que se abrirem primeiro
É que serão os maridos.

Enquanto,correndo pelos caminhos,
Na pega aos balões,
Italianinhos e caboclinhos
Confundem, na alegria, os corações.

Cansados de subir, os balões vão cindo,
Como estrelas de cor, que o céu mandou,
E, de novo, por ele, foguetes, subindo,
Riscam de luz o espaço e apagam-se explodindo.

-Já apagou!!!

Rodinhas acesas estão girando:
Vou-me embora daqui,
Santo Antônio está me chamando...

E vão busca pés, atrás das saias,
Dando vaias:
Xi!!!

E as bombas bradando:
Bom!!!

Tudo caiu à terra, com tamanho estrondo!
E somente a lua,que é um balão redondo,
Ficou  lá por cima, porque o céu é bom!

-Viva Santo Antônio! Grita toda gente,
Nesta noite linda, clara , brasileira:
Cada casa pobre é um coração ardente,
E cada coração, uma fogueira!
(Ofélia Fontes e Narbal Fontes) 

Customizado por Meri Pellens.